quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Grande

Tão, mas tão, mas tão grande, que me faz pequeno.
Eu sei o que eu tenho pra você... O maior amor do mundo.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Pra fora

É toda verdade que eu queria dizer, a verdade que nunca vai existir pros outros, a minha verdade, o que é só meu,só eu penso, só eu sei. Tenho medo da minha verdade, mas ela me faz feliz.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Projeção de "Pele-ícula"

Tudo começou como um filme e desde então é nesse "longa metragem" que eu vivo, entrei pela porta de trás, como quem vai de carona, mas o reflexo do retrovisor me ofuscava a vista daquele que dalí pra frente seria o meu "ângulo de câmera", pra onde ficariam voltada todas as atenções.
O "argumento" é bem simples: Amor a primeira vista. Poderia ser como Cabral em 22 de Abril e até mesmo Da Vinci, quando resolveu "enquadrar" a sua indefinida Gioconda.
O primeiro "Close Up" foi ocasional, duas pessoas movimentavam-se, o espaço atrás era quase vazio, ocupava-se apenas por um bar mal iluminado, por outro lado, haviam luzes que riscavam seu rosto, vindas dos scaners postos no teto daquela festa diferente. Assustado com tudo isso, o "claquet" primeiro nos ficou apenas para os "extras", não fará parte do "roteiro final", o que não quer dizer que essa história terá fim.
As "adaptações" foram sendo feitas, todo o "cenário" foi modificado, luzes, som e a "ação". Foi num toque das mãos, que um dos personagens pegou-se surpreendido pelo que se sucedia, na "cena" que até o diretor parou para assistir o próprio "filme" da vida real. Produzido em "pele-ícula", de contato sutíl, quase imperceptível, mas causador de um furacão avassalador de sentimentos transbordados pelo coração pulsante e a mente que confidenciava as vontades subsequentes.
A "produção" era independente, as dificuldades seriam enfretadas a partir do momento em que fossem surgindo e por mais que fossem esperadas, as que surgiram foram facilmente resolvidas, tudo pelo companheirismo que envolvia toda a equipe e os dois "atores" principais, que não sabiam, mas eram nascidos no mesmo dia, no mesmo mês do mesmo ano e portanto isso tornaria o entrosamento entre os dois o mais especial possível.
A conversa entre os dois se tornava a cada dia mais constante, até o dia em que os dois não conseguiam passar um dia sem se falar, ailás, horas, por vezes, minutos. Foi quando deram-se conta de que o filme havia se tornado a realidade dos dois. O "roteiro" ainda assim seguia-se fielmente, intacto, entretanto o tato era presença obrigatória, até o "autor" resolver mandar um dos "personagens" pra um lugar distante de qualquer civilização, do outro lado do oceano.
As "cenas" subsequentes for filmadas em Nellysford. A "filmagem" iniciou na temporada de inverno. Desde então, o verão que fazia entre os dois foi transferido pra um frio descomunal, a relação foi mantida, a única coisa que mudou foi a temperatura, e isso não influenciava em nada, por mais que houvessem impecilhos tudo foi mantido. A distância na verdade serviu de combustível pro fogo do sentimento, e a combustão das misturas fazia bem ao mundo e mais ainda aos dois. Foram necessários três meses pra que as gravações acontecessem e que os dois voltassem a se ver fisicamente.
No dia derradeiro, malas prontas e um sorriso, que não disfarçava a ansiedade. Embarque direto ao estado de graça, e por lá esperando com um buquê de flores e na mesma sintonia estava o contracenante. Agora, apenas algumas horas separavam os dois do fatídidoco encontro, amor que sairia das "telas" para viver na vida de dois personagens reais, um romeu e julieta sem o triste final.
(continuar)

domingo, 21 de novembro de 2010

Coisas da Vida

Foi o escuro que quis me esconder de você, era tudo tão viceral e isso tudo foi desaparecendo, por um instante jurava ter fechado os olhos, mas eu os abri, os esfreguei e os abri, você havia se transformado em parte daquele vazio, negro e salgado, gasoso... eu te respeirei durante todo tempo, te senti entrando pelas narinas, aquilo me machucava, formava muco na superfíci circular acima da minha boca e aquilo que me pingava como o que pinga nas crianças largadas no morro era você.
Havias fugido de mim pra se reinventar, transformar seu mundo, vencer barreiras e como? A maior barreira eramos nós e você fugiu disso. Filho da puta e eu repito: fi-lha da pu-ta, eu sinto o sabor das palavras que falo e nessa hora te chamar assim me deixa com um gosto doce na boca, talvez porque eu devesse chamá-la de amor, mas o seu amor já me apeteceu, hoje o que me apeteceria seriam as madrugadas infernais e lentôneas que usurpão meu sono, você não... não mesmo.
Alguém me sopra ao ouvido alguma melodia de merda, daquelas que os infelizes, meretrizes, bêbados e cornos gozam ouvir, porque é nesse momento que vem tudo na mente, agente ri, chora, sente o gosto de tudo e o do nada também, e é esse que agente prefere porque ele dói e como se não bastasse viver, agente gosta de sentir dor, putos sadomasoquistas que não gozam de prazer algum... só enchem as cabeças alheias, porque além de dor o que apetece os fodidos de espírito, pobres de amor e narcisos do próprio ego é simplismente ter algo pra inflar-se, sentir-se alto e desnormalizar aos que estão a sua volta.
Vão esbravejar, pode ser que acendam a luz, mas nesse momento eu não quero mais, o escuro sou eu agora e a claridade viria para matar a minha existência, o dolo então é do sol. Eu tenho tanta coisa pra ontem...
"Existem coisas na vida, das quais até Deus duvida, tem beijos de boas vindas, tem beijos de despedida, tem choro, coro, decoro, entrada não tem saída, tem fórum, falta de coro, tem um toque de midas. Tem quem apronte um salseiro, tem gente muito querida, tem cara de pau de monte, morte por uma dívida, tanta coisa pra ontem. Existem coisas na vida, das quais até Deus duvida, tem que não tenha guarida nas vielas e avenidas, tem olho da rua, beco, tem ouro de tolo, toro, tem vaca e mulher parida. Tem gente que é só sucesso, como tem gente falido, tem gente que não tem berço, bandido, gente excluída. Tem gente muito valente, tem gente só suícida e por ter gente demente, tem gente que é prevenida. Tem coisa que segue em frente, tem coisa já falecida. Existem coisas na vida das quais até Deus duvida é o diabo à quatro, querida."

domingo, 31 de outubro de 2010

Lamúria

Se de um tango eu tirei meu canto
meu desalento de solidão
minha nostalgica ideologia
minha pequena imensidão

Da lamúria fiz meu canto
brando, santo, samba de comunhão
Acompanhante de mim mesmo
Vereda de interiorização

Quiçá você, o sol, o mar
Me enamorar num domingo
Ralentar as horas, perdurar...
Desilusão de sal, açúcar
São, foi São Paulo que o abrigou

Viver é à prestação
Morrer, talvez
Tudo a mim é grande
Até o vazio do Rio, no frio
Maresia de calafrio.

(para ser editado)

Idéia e Miséria

Todas as grandes idéias são perigosas. (Oscar Wilde)

Pseudo-criador de seus monumentos, os levantam e os assentam na infatigável cabeça dos pensantes e também daqueles que não fazem uso das suas. Quantos foram os indignos das suas glórias, não fossem o tamanho das suas obras... o que fica, é o que verdadeiramente importa aos olhos vislumbrantes, vislumbrados.
Imponente aos olhos de quem vê, seus montes nunca o farão convir ou admitir quem tu és, tudo é pouco, e se assim não fosse, tu farias de tu mil, para que pudesses redimir-se frente àquilo que representará o grão plantado e germinado das vagantes idéias caminhantes do seu pequeno cérebro.

(incompleto)


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Desalento


"Diz assim que eu chorei, que eu morri de arrependimento
Que meu desalento, já não tem mais fim..."
Parado agora sobre os escombros do que de mim sobrou, é difícil olhar o que a minha volta ainda está de pé. Eis que carece de exatidão detalhes do fato consumado, consumido pela poeira.
Leva... corre e leva tudo que está aqui, até você mesma. Faça isso correndo, porque se eu te ver por mais algun minutos, sou capaz de me jogar aos teus pés; não eu penso, eu penso, eu nunca seria capaz de fazer isso. Desalento, desatento, exatidão, momento, palavras... chão, cá no chão estão as palavras que querem transbordar minha boca, entretanto estão aqui, cá dentro da minha cabeça. Lá, cá, aqui, alí, volte tudo, desde o início e vague pelo que por ter sido tudo, nos encheu de um nada profundo, no fundo, do poço; o esboço do inferno que eu vivo se transparece na ausência de alguém. Palavras não são palavras e a saudade não é doce, não. Saudade é salgada, hipertensa, matou a si mesma por excesso, ou foi o acaso?
Diz pra àquela, ela, a mulher da porta de trás, que saiu sem nem me dar sinais de que voltaria. Vago na noite, vago no dia... e a lua que é um abajúr brilhante, lantejoula da NASA e irradia natapeçaria do chão de barro, daquele que perdeu o teto e ganhou de Deus as estrelas, que correu pro rio e as viu refletidas no mar para que pudessem ficar mais perto, mas que do rio de fez deserto e na seca tudo é dor, das frases de Camões, das películas de Álmodovar, músicas de Chico, o rio eu morreu. Sim, lá estava, não passa mais. Implodido, agora, abriga dentro de si somente seus ossos, seus restos mortais e o desalento singelo, dilacerante de atracar em qualquer porto, morto, sem cais.
"Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia
Tudo esbarra embriagado de seu lume
Dorme ponte, Pernambuco, Rio, Bahia
Só vigia um ponto negro: o meu ciúme
O ciúme lançou sua flecha preta
E se viu ferido justo na garganta
Quem nem alegre nem triste nem poeta
Entre Petrolina e Juazeiro canta
Velho Chico vens de Minas
De onde o oculto do mistério se escondeu
Sei que o levas todo em ti, não me ensinas
E eu sou só, eu só, eu só, eu
Juazeiro, nem te lembras dessa tarde
Petrolina, nem chegaste a perceber
Mas, na voz que canta tudo ainda arde
Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê
Tanta gente canta, tanta gente cala
Tantas almas esticadas no curtume
Sobre toda estrada, sobre toda sala
Paira, monstruosa, a sombra do ciúme"